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Tecnologias para a Saúde

Sala de cirurgia
Sala de cirurgia - Foto: Divulgação Hospital Moinhos de Vento

O segmento de Tecnologias para a Saúde apresenta elevada intensidade tecnológica. O padrão de comportamento mundial indica que essa indústria investe mais do que a média em inovação. No Brasil, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o setor destina aproximadamente o dobro da média nacional para esforços em atividades inovadoras. Além disso, as empresas atuantes apresentam relação estreita com outros segmentos industriais, possibilitando a agregação de valor em diferentes cadeias produtivas, como as de polímeros, plásticos de engenharia de alta performance, placas de circuito impresso e mecânica fina, entre outras. Em razão disso, o Rio Grande do Sul aposta na indústria da saúde como um vetor de desenvolvimento econômico e tecnológico.

No Brasil, o mercado da saúde vem crescendo rapidamente. O direito constitucional de acesso universal e gratuito à saúde, institucionalizado no Sistema Único de Saúde (SUS), faz com que existam gastos públicos significativos e constantes nessa área. Em 2009, União, Estados e municípios destinaram cerca de R$ 79 bilhões (US$ 39 bilhões) ao SUS, enquanto o setor privado contribuiu com aproximadamente R$ 91 bilhões (US$ 45 bilhões).

A rede hospitalar gaúcha conta, atualmente, com aproximadamente 17,1 mil leitos em hospitais de grande porte. Desse total, em torno de 2,1 mil são em unidades de tratamento intensivo. O complexo hospitalar gaúcho destaca-se por disponibilizar aos pacientes procedimentos de alta complexidade, sendo referência nacional em transplante de órgãos, cirurgia bariátrica e metabólica, cirurgia cardíaca, cardiologia interventiva com dispositivos de implantes, oncologia, implantes ortopédicos e cirurgias minimamente invasivas, entre outros. Ao todo, são 337 hospitais no Estado, sendo 23 na Capital.

O Rio Grande do Sul depende do fornecimento externo para poder desenvolver suas atividades. Somente os quatro maiores hospitais gaúchos importam cerca de R$ 2 bilhões em equipamentos e softwares anualmente, visto que apenas 35% da demanda é atendida por empresas nacionais.

Mamografia
Mamografia - Foto: Cristiano Sant'Anna, indicefoto.com

No Rio Grande do Sul, a base industrial do setor de saúde está prioritariamente concentrada na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas apresenta como outros polos os municípios de Passo Fundo e Pelotas. Na Região Metropolitana, observa-se a presença de hospitais públicos e privados, laboratórios, centros de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para a saúde e universidades. Esse conjunto de organizações possibilita o intercâmbio de informações e a cooperação técnica entre os hospitais e as empresas do setor.

Conta com cerca de 240 cursos de graduação em áreas relacionadas à saúde, que possibilitam o ingresso de 16 mil novos estudantes a cada ano. Na mesma área, conta com 94 programas de pós-graduação, sendo que 16 deles possuem padrões de excelência internacionalmente reconhecidos. Além disso, tem mais de 700 grupos de pesquisa relacionadas à indústria da saúde, com especialidades na área de biomateriais, biopolímeros, diagnóstico de imagens, sistemas de tratamento, sensores inteligentes e oftalmologia.

A rede laboratorial instalada no Estado representa outro fator positivo para a indústria local de tecnologias para a saúde. São 286 laboratórios associados à Rede Metrológica RS, sendo 217 reconhecidos, por atenderem os critérios da Norma NBR ISO/IEC 17025, que estabelece os requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração. Do total de laboratórios associados, 77 já estão acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Logo do Cluster de Tecnologias para a Saúde-RS
Logo do Cluster de Tecnologias para a Saúde-RS - Foto: Reprodução

Desde 2015, existe no Estado o Cluster de Tecnologias para a Saúde-RS, composto por mais de 50 instituições e em torno de 200 empresas do setor instaladas em todo o território do Rio Grande do Sul. Integra universidades, hospitais, empresas, parques tecnológicos, incubadoras e outros entes públicos e privados na realização de negócios e no desenvolvimento de novas tecnologias para o setor médico-hospitalar.

Logo do Medical Valley, de Erlangen, Alemanha
Logo do Medical Valley, de Erlangen, Alemanha - Foto: Reprodução

O primeiro contrato estabelecido pelo Cluster de Saúde, em 2016, foi com o Medical Valley, sediado em Erlangen, na Alemanha. O plano de trabalho desse acordo para 24 meses é dividido em quatro eixos: produção de estudo consolidado das áreas de interesse comum entre o Cluster e o Medical Valley; realização de eventos de fomento à formação de parcerias entre empresas e universidades gaúchas e alemãs; viabilização de parcerias estratégicas, por parte do Medical Valley; e elaboração de modelagem para implantação de incubadoras para startups de saúde (medtechs).

UTI Neonatal
UTI Neonatal - Foto: Divulgação Hospital Moinhos de Vento

Além desse ambiente, que possibilita o desenvolvimento de negócios e a instalação de novas empresas, observam-se mudanças demográficas e comportamentais que exigirão novas soluções. Destacam-se o crescimento da medicina preventiva, decorrente da ampliação da expectativa média de vida, e o monitoramento e prestação de serviços médicos de forma remota. Essas novas realidades necessitarão de novos fornecedores de medicamentos, equipamentos e softwares, que encontrarão um ambiente favorável ao seu desenvolvimento no Estado do Rio Grande do Sul.

Oportunidades do Setor

  • Tecnologias de soluções para o envelhecimento populacional e doenças crônicas e degenerativas.
  • Nanotecnologia e nanomedicina: existem cerca de 30 grupos de pesquisa nas universidades do Rio Grande do Sul sobre o assunto e grande demanda de soluções tecnológicas e industriais.
  • Medicina regenerativa: cerca de 15 grupos de pesquisa nas universidades gaúchas sobre o assunto.
  • Cardiologia: stents coronarianos, especialmente os autoexpansíveis.
  • Radiologia
    Radiologia - Foto: Divulgação Hospital Moinhos de Vento
  • Neurocirurgia: válvulas de pressão programável; fios de platina de menor espessura (0.3 mm).
  • Ortopedia: desenvolvimento de revestimentos constituídos por determinadas substâncias – carbono amorfo, nitreto de titânio, zircônia, alumina, materiais poliméricos – para recobrir componentes; fabricação de implantes constituídos por polímeros radiolúcidos ao invés de metais.
  • Área de reabilitação: fabricação de próteses relacionadas à mobilidade e movimentação de braços, mãos e dedos.
  • Odontologia: próteses e implantes de maior durabilidade – cerâmica e resinas micro ou nanorreforçadas; brocas com revestimentos especiais, compostos por diamante sintético; componentes eletroeletrônicos miniaturizados de alta complexidade.
  • Telemedicina: softwares para o reconhecimento de padrões para os atendimentos e pré-laudos; hardware específicos para facilitar a consulta à distância; plataformas de ensino em saúde.

Oportunidades de parcerias entre empresas

Confira aqui as possibilidades de negócios no setor.

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